15/07/2009

Sermão


Por que escondes com tanto empenho
A maldade implícita em atitudes corriqueiras
Sorrateiras e dispersas
Capazes de envenenar o mais doce
E cegar o mais sincero?

Qual o medo que te impede de olhar para si
Com os mesmos olhos implacáveis com que vês o mundo
Tão imundo, e injusto, e falseado
Desenhado em suas ásperas palavras?

É fácil
Suave e sem medida é o juízo
Sem critério e apático
Disposto a fazer sangrar
A já cicatrizada ferida

Essa frieza exposta em teus sorrisos amedronta
É inconcebível o só pensar em si
Como quem aprende a gostar da doença
A ponto de rejeitar a cura

Uma parte maldade
Outra parte loucura
Segues sem censura a causar a dor
E a rejeitar o amor
A negar o perdão

Como não?
Não deverias seguir assim
Retribuindo sorrisos com fingimento
E o que é bom com o que é ruim

Diga sim
Para que seu sono seja como brisa na manhã
E não,
Não deixe para amanhã
A libertação de sua alma

Te acalma
Não reflita no próximo sua fraqueza e solidão
Saiba que o pesar da inveja é maior
Para quem a carrega no coração.


(15.05.2009)

2 comentários:

Lucas Costa Menezes disse...

imparcial e direta como um espelho.
Trazes em versos verdades cortantes.
Expõe, sem medo, sem culpa todos os sombrios sentimentos que habitam obscuros em nossas almas.
Ainda que comumente usuais.
Conciêntes ou não de suas consequências. Nos, como bom humanos que somos, inevitávelmente erramos.
Mas podemos mudar...
sempre podemos escolher melhorar.
Por isso a verdade é tão importante,
para nos alertar, admoestar dar uma chance para melhorar...
Belíssimo texto!

gutipoetry disse...

Mais um lado fascinante seu contido neste poema, ou seja, o seu altruismo, isto a torna uma pessoa múltipla, capaz de mirar´se ao espelho e interpretar todos os seus reflexos!

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