
Por que escondes com tanto empenho
A maldade implícita em atitudes corriqueiras
Sorrateiras e dispersas
Capazes de envenenar o mais doce
E cegar o mais sincero?
Qual o medo que te impede de olhar para si
Com os mesmos olhos implacáveis com que vês o mundo
Tão imundo, e injusto, e falseado
Desenhado em suas ásperas palavras?
É fácil
Suave e sem medida é o juízo
Sem critério e apático
Disposto a fazer sangrar
A já cicatrizada ferida
Essa frieza exposta em teus sorrisos amedronta
É inconcebível o só pensar em si
Como quem aprende a gostar da doença
A ponto de rejeitar a cura
Uma parte maldade
Outra parte loucura
Segues sem censura a causar a dor
E a rejeitar o amor
A negar o perdão
Como não?
Não deverias seguir assim
Retribuindo sorrisos com fingimento
E o que é bom com o que é ruim
Diga sim
Para que seu sono seja como brisa na manhã
E não,
Não deixe para amanhã
A libertação de sua alma
Te acalma
Não reflita no próximo sua fraqueza e solidão
Saiba que o pesar da inveja é maior
Para quem a carrega no coração.
(15.05.2009)
2 comentários:
imparcial e direta como um espelho.
Trazes em versos verdades cortantes.
Expõe, sem medo, sem culpa todos os sombrios sentimentos que habitam obscuros em nossas almas.
Ainda que comumente usuais.
Conciêntes ou não de suas consequências. Nos, como bom humanos que somos, inevitávelmente erramos.
Mas podemos mudar...
sempre podemos escolher melhorar.
Por isso a verdade é tão importante,
para nos alertar, admoestar dar uma chance para melhorar...
Belíssimo texto!
Mais um lado fascinante seu contido neste poema, ou seja, o seu altruismo, isto a torna uma pessoa múltipla, capaz de mirar´se ao espelho e interpretar todos os seus reflexos!
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