11/09/2010

Onde mora a distância


No transcorrer de uma história contada
Que percorreu caminho já conhecido ao meu autoreflexo
Vi a proximidade daquilo que me faz viver
E do que me faz querer partir
E voltar

As medidas pareciam tão relatas, relativas
Pareciam tão implacáveis ao meu tão doce desejo
E eram frias, quantificáveis
Enquanto o que me habitava se via crescentemente imensurável
Era como se pudesse ver o amor distante

A distância, então, se fazia assim
Brincadeira inocente
Visão indefensa capaz de sufocar
Matar de dor os sonhos nascentes
E alimentar de falta os medos crescentes

Fora como o duelo entre resigno e sofreguidão
Num impasse destrutivamente silencioso
Numa vontade de enlouquecer por saídas
Ou sanar-se dolorosamente numa simples resposta

Nesse momento, pude ver tão claramente
A escuridão da falta, da partida
E a vida refletida
Revista nos olhos daquele que volta ao seu lugar

Secos de sal
Olhos tristes seguiram, vendo, verdades
Que o amor não vive só.
Ele caminha junto,
Ajuntando extremidades.

(11.09.2010)

1 comentários:

Lucas Costa Menezes disse...

Talvez tenha endurecido meu coração ao me aprofundar nos textos acadêmicos que dissecam a comunicação como se fosse um sistema complexo de ações e reações prováveis, abandonando por completo a vida que há em se comunicar. E por isso, ao encontrar os últimos textos de Brunna, meu coração tenha recebido uma overdose de vida e sensibilidade que já não tinha contato a muito tempo. Só assim consigo explicar como um texto pode arrancar em um só golpe, meu coração e sonhos e espreme-los diante dos meus olhos. Um texto que me deixou sem ar, me transportou para dentro de sua própria história, intenso e real.
Parabéns Brunna. Uma verdadeira Obra Prima.

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